Quando um tirano insetoide chamado Aniquilador resolve declarar guerra contra o universo, apenas um grupo formado por alguns dos maiores super-heróis poderiam surgir como uma esperança para deter essa ameaça. Pois essa é a premissa do Marvel Cosmic Invasion, um beat ‘em up que desde o seu anúncio despertou uma enorme expectativa entre os fãs dos quadrinhos — e que agora sabemos ter se mostrando a realização do sonho de muita gente.
Inspirado nos eventos da saga de quadrinhos Aniquilação, a motivação do vilão sugestivamente conhecido como “A Morte Viva que Caminha” se deve à percepção de que a expansão constante do nosso universo estaria reduzindo a Zona Negativa, fazendo com que ele dispare a Onda de Aniquilação, um evento massivo de invasão interdimensional.

Crédito: Tribute Games
Dividida por 15 missões, a campanha nos levará a locais conhecidos dos quadrinhos, da cidade de Nova York à Terra Selvagem, passando por Wakanda, Destromundo, Lyntar e Hala, só para citar alguns.
O que torna a jornada mais interessante é a capacidade do Aniquilador de capturar e controlar alguns seres extremamente poderosos, que não citarei quais para não estragar a surpresa de quem ainda não teve a oportunidade de jogar.
E para quem cresceu jogando beat ‘em ups, principalmente nos fliperamas, será fácil perceber as inspirações para o Marvel Cosmic Invasion por parte da Tribute Games, estúdio que já havia nos dados o elogiado Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge e que adotou melhorias significativas baseadas em sua experiência anterior.
Já na parte visual o estúdio também buscou a época em que os jogos de “briga de rua” floresciam, com cores vibrantes e personagens com alguns designs clássicos das décadas de 80 e 90. Os cenários são detalhados, com alguns apresentando personagens enormes que nem cabem inteiros na tela, o que contribui para tornar a experiência mais divertida.
Tag Team

Crédito: Tribute Games
Mas se o Marvel Cosmic Invasion chama atenção pela sua temática, lembrando bastante um beat ‘em up que adorava na minha infância, o Captain America and The Avengers, dois fatores serviram para me conquistar. O primeiro deles é o seu sistema de troca de personagens, que nos permite escolher dois heróis antes do início de cada fase e assim, poderemos alterná-los a qualquer momento, bastando apertar um botão.
Embora estejamos acostumados a ver algo assim nos jogos de luta do estilo versus, a mecânica adiciona um ar de novidade aos beat ‘em ups, pois com ela o jogador consegue, por exemplo, iniciar um combo com um personagem e continuá-lo com outro, tudo em tempo real. Além disso, como os heróis possuem características distintas e seremos motivados a experimentar, mesclando aqueles voltados para ataques rápidos com os capazes de acertar os inimigos à distância, ou apostando numa mistura de força bruta com alguém capaz de atravessar os estágios voando. Algumas duplas podem ser extremamente poderosas, chegando a tornar boa parte do jogo menos desafiador do que poderia.
Quem gosta de jogos de luta como Marvel vs Capcom também ficará empolgado ao acionar um especial. Com alguns preenchendo boa parte da tela, o estrago será ainda maior se ambos os heróis estiverem com suas barras completas, permitindo que os dois ultimate sejam acionados simultaneamente.
O título também possui um sistema de progressão para os personagens, que ganharão experiência exclusivamente no modo Campanha e podem evoluir até o nível dez.
Um elenco cósmico

Crédito: Tribute Games
Mas lembra quando disse que dois pontos do Marvel Cosmic Invasion fizeram com que eu me apaixonasse pelo jogo? Pois o segundo é a lista de personagens disponíveis. Ao todo, teremos 16 deles, sendo quatro secretos e que serão desbloqueados conforme avançarmos pela campanha principal.
Confira a lista completa, um resumo e minha opinião sobre cada personagem:
- Capitão América: pode usar seu escudo para bloquear projéteis, além de um golpe especial efetivo em curta e longa distância. Porém, sua velocidade de movimentos é reduzida, o que me fez não gostar tanto dele;
- Nova: herói cósmico focado em velocidade e mobilidade aérea. Sinceramente, achei um pouco sem graça;
- Tempestade: mutante com ataques elementais baseados em controle climático. Boa, mas não entrou nas minhas favoritas;
- Wolverine: personagem corpo a corpo com capacidade de agarrar e arremessar inimigos. Ele foi um dos com quem joguei a demo e coloco-o entre os melhores do jogo;
- Homem-Aranha: herói ágil com capacidade de balançar por teias, oferecendo alta mobilidade e velocidade. Foi minha segunda escolha na demo e também se tornou um dos meus favoritos;
- Bill Raio Beta: guerreiro korbinita com esquiva ágil e pode usar seu machado como projétil. É o típico personagem tanque e embora não costume gostar do arquétipo, achei muito divertido controlá-lo;
- Pantera Negra: utiliza lâminas de vibranium que causam dano atrasado, criando aberturas contra inimigos mais resistentes por meio de atordoamento inicial e vulnerabilidade estendida. Outro que sempre está entre os que prefiro jogar, devido sua velocidade e capacidade de atingir a longa distância;
- Motoqueiro Fantasma Cósmico: variante do Motoqueiro Fantasma e na minha opinião, um dos personagens mais poderosos. Seus golpes atingem uma área enorme, passando até a sensação de estarmos trapaceando ao jogar com ele;
- Homem de Ferro: herói com ataques de energia de longo alcance, bastante rápido e capaz de voar. Outro dos meus preferidos, com destaque para o ataque especial, copiado dos jogos de luta da Capcom em que ele aparece;
- Rocket Raccoon: um Guardião da Galáxia especializado em armamento pesado. Não chamou muito minha atenção;
- Mulher-Hulk: Personagem de força bruta com capacidade de agarrar e arremessar oponentes. Infelizmente se tornou a personagem que menos gostei;

Crédito: Tribute Games
Contudo, por mais que um elenco tão grande e variado de personagens deva ser comemorado, ao usar este artifício a Tribute Games criou uma armadilha contra si mesma. Para começar, é estranho o jogo não nos permitir jogar com nenhum membro do Quarteto Fantástico, sendo que o grupo é o principal adversário do vilão que pretende destruir o nosso universo.
Mas essa não é a única dúvida que deverá passar pela cabeça de muita gente. Embora tenhamos a presença de vários personagens “clássicos”, por que outros foram preteridos a figuras menos conhecidas? Por que o Bill Raio Beta e não o Thor? Por que Phyla-Vell e não Carol Danvers? Porque a Mulher-Hulk e não o Gigante Esmeralda?
Com sorte o Marvel Cosmic Invasion receberá atualizações que adicionarão novas campanhas, nos levando a mundos diferentes com novos inimigos e vilões, e trazendo novos personagens para escolhermos. Magneto, Ciclope, Viuva Negra, Demolidor, Deadpool, Gambit… Enfim, as opções são muitas e num mundo ideal, esse conteúdo chegaria ao jogo de forma gratuita. Não custa sonhar…

Crédito: Tribute Games
Mesmo inovando pouco e preferindo investir numa jogabilidade mais sóbria, a criação da Tribute Games agrada os apaixonados por beat ‘em ups e fará a alegria de todos que sempre desejaram colocar diversos heróis para brigar na rua contra hordas de inimigos.
Com gráficos pixelados muito bonitos, suporte para até quatro pessoas jogarem simultaneamente e a presença de diversas figuras conhecidas da Casa das ideias, Marvel Cosmic Invasion te divertirá por um bom tempo, especialmente se os criadores puderem mantê-lo abastecido com novidades pelos próximos meses.