Manter a relevância de uma franquia consagrada por muitos anos está longe de ser uma tarefa simples. Para isso, algumas empresas apostam em diversificar suas criações, mas ao mesmo tempo em que essa estratégia pode oxigenar a marca, existe um grande potencial disso irritar os fãs. Pois com o The Rogue Prince of Persia a aposta da Ubisoft e da Evil Empire deu muito certo!
Deixando de lado a ambientação 3D adotada pela franquia após o capítulo lançado em 1999, esse retorno às duas dimensões não se resume a trazer apenas uma nova roupagem para os primeiros jogos, servindo mais como um (bom) recomeço para a saga do príncipe.
Disponibilizado inicialmente em maio de 2024 como em Acesso Antecipado, The Rogue Prince of Persia chega agora à sua versão 1.0 após passar por um período de desenvolvimento em que a comunidade contribuiu com opiniões — e o estúdio ouvindo esse feedback.

Crédito: Divulgação / Evil Empire
Durante esse período, o título recebeu ao menos 15 atualizações de grande porte que adicionaram novos biomas, uma maior variedade de inimigos, novas armas, um arco completo para a história e até mesmo mudanças no sistema de jogo.
Essas melhorias certamente contribuíram para tornar a experiência muito mais agradável, mas eu citaria outros três pontos que elevaram consideravelmente a qualidade do The Rogue Prince of Persia:
- Nova direção de arte: embora o estilo visual inicial do jogo fosse bom, a reformulação por qual o projeto passou melhorou tudo, da nova paleta de cores às animações mais expressivas, reforçando a sensação de estarmos assistindo um desenho animado;
- Narrativa: a adição do sistema de “Mapa Mental”, que rastreia a relação ente os personagens e a própria história, ajuda a tornar o enredo mais compreensível e interessante, algo pouco comum em roguelites;
- Geração procedural: construídos a partir de blocos, os estágios agora contam com um algorítimo aperfeiçoado ao serem montados, o que faz com que pareçam mais variados e melhor estruturados.

Crédito: Divulgação / Evil Empire
Tudo isso fez com que um título que respondia como um excelente protótipo se transformasse em uma experiência completa, muito mais polida que o inicial.
Sem que combate tenha passado por grandes mudanças desde as primeiras versões, em The Rogue Prince of Persia o protagonista terá acesso a dois tipos de equipamentos para enfrentar os inimigos: um para ataques a curta distância e outros para atingir quem estiver longe. Mas além da agilidade do Príncipe, as várias subcategorias das armas faz com que o herói possa se adaptar ao estilo do jogador.
Embora a principal diferença entre as armas esteja na velocidade e poder de ataque, eles contam com ataques especiais e mudanças significativas nos combos gerados. Por exemplo, enquanto uma Tabar faz com que o terceiro acerto atordoe o inimigo, uma falcata faz com que cada golpe se torne mais forte. Já quando se trata da longa distância, o espírito furtivo gera um teletransporte após ser disparado, enquanto o gancho puxa o inimigo para perto de nós.
Há ainda os medalhões, itens que adicionam habilidades passivas e que podem ser um importante ponto de vantagens durante as incursões. Com cada partida permitindo que até quatro medalhões sejam equipados, isso deve ser feito nos oásis e como eles permanecerão disponíveis após desbloqueados, o jogador deverá escolher com sabedoria quais utilizar.
Assim, um medalhão de veneno casa perfeitamente com uma Bagh Nakh, arma que por disparar golpes rápidos, pois espalhará veneno pelo ambiente e assim atingirá vários inimigos. Já um medalhão de regeneração ajudará a compensar o dano sofrido ao usarmos uma arma de alto risco.

Crédito: Divulgação / Evil Empire
Desta forma podemos criar builds bastante variadas, focando em sobreviver por mais tempo, controlar áreas mais extensas ou causar dano em múltiplos inimigos simultaneamente. Pode parecer complexo, mas com o tempo passamos a entender quais combinações melhor se encaixam ao nosso estilo e o quão brilhante é a mecânica desenvolvida pela Evil Empire.
Para quem jogou o Dead Cells, The Rogue Prince of Persia pode não parecer uma grande evolução, mas o jogo possui personalidade suficiente para se destacar e principalmente, entrega um nível de qualidade e diversão suficiente para ser muito mais que apenas clone daquele ótimo jogo que catapultou o estúdio francês à fama.
Além disso, por mais que o Prince of Persia: The Lost Crown tivesse provado que havia espaço para a franquia “perder uma dimensão”, essa nova tentativa mostrou que, desde que feito por pessoas competentes e com muita dedicação, também é possível explorar outros gêneros e conquistar até os mais puristas. E quem diz isso é alguém que há muito cansou da chuva de roguelites que inundou a indústria.