Para quem gosta de conhecer a história dos videogames, poucas empresas causam tanta admiração quanto a Digital Eclipse. Investindo na criação de documentários interativos, o estúdio norte-americano tem dado ótimas demonstrações de como ensinar e preservar o passado da mídia e mesmo não fazendo parte da sua aclamada Gold Master Series, o Worms Armageddon Anniversary Edition é mais um acerto dessa desenvolvedora.
Revivendo um clássico de 1999 e que para muitos é o ápice da franquia, a remasterização traz de volta todo o caos estratégico e o humor típico da já lendária guerra entre minhocas. Nele temos um arsenal que vai do convencional ao absolutamente insano: bazucas, granadas, lança-chamas, ovelhas explosivas e até golpes vindos de um famoso jogo de luta entre “World Warriors”, o que importa é entregar a maior diversão possível… e isso o título consegue fazer com maestria.
Com as batalhas acontecendo por turnos alternados, cada erro de cálculo — seja por conta do vento ou da física — pode transformar uma jogada genial em um desastre hilário, principalmente quando estamos participando de um confronto com outras pessoas.

Crédito: Divulgação / Digital Eclipse
Outro ponto que pode gerar boas risadas é o sistema de personalização. Com ele podemos mudar desde a dublagem dos soldados anelídeos até seus nomes, passando pelas lápides que surgirão quando alguma minhoca for derrotada ou os mapas mais inusitados que pudermos imaginar. Essa liberdade criativa pode ser vista como um dos pontos altos do jogo, garantindo longevidade e variedade mesmo após inúmeras partidas.
Contudo, Worms Armageddon Anniversary Edition vai além do simples relançamento. Com essa versão temos acesso àquilo que tem consagrado a Digital Eclipse, que é um belo documentário. Conhecido como War Stories, nele merece destaque os seguintes pontos:
- Linha do tempo interativa, permitindo explorar a evolução da franquia desde o primeiro Worms até os títulos mais recentes, contextualizando cada lançamento;
- Entrevistas inéditas com desenvolvedores originais e atuais da Team17, incluindo Andy Davidson, criador da série. Os relatos revelam decisões criativas, desafios técnicos e histórias curiosas sobre armas icônicas como o Concrete Donkey;
- Documentos e materiais promocionais antigos, como versões digitalizadas de manuais, artes conceituais, fotos de eventos e vídeos raros de feiras e lançamentos;
- Participações especiais, como a do ator Doug Cockle (voz de Geralt em The Witcher), um assumido fã da franquia e que compartilha sua experiência.

Crédito: Divulgação / Digital Eclipse
Trazendo muitas informações interessantes, o documentário brilha também pelo humor adotado, aproveitando assim uma das características mais marcantes da franquia. Embora o material tenha uma relevância maior para quem admira a franquia há muito tempo, ele também consegue se mostrar relevante para os novatos, oferecendo uma perspectiva única sobre como Worms se tornou um ícone dos jogos de estratégia por turnos.
A Team17 e a Digital Eclipse ainda aproveitaram a oportunidade para preservar um pouco mais da história da franquia, adicionando recentemente — de forma gratuita — outros três títulos ao Worms Armageddon: Anniversary Edition. São eles:
- Worms (Super Nintendo) – A versão 16-bit original lançada para o SNES em 1995. É considerada a base da franquia, com jogabilidade por turnos simples e mapas destrutíveis. Apesar das limitações técnicas, já trazia o humor característico e o arsenal criativo que definiriam a série.
- Worms (Mega Drive) – Lançado na mesma época que a versão de SNES, este título apresenta pequenas variações gráficas e sonoras, algo comum na época. É uma alternativa interessante para comparar como o jogo se comportava em diferentes plataformas da era 16-bit.
- Worms World Party (Game Boy Advance) – Versão portátil do clássico, adaptada em 2001 para o GBA. Apesar da tela pequena e controles limitados, o jogo mantém o espírito competitivo e a variedade de armas, sendo considerado por muitos fãs como o melhor Worms em consoles móveis.

Crédito: Divulgação / Digital Eclipse
Eu gostaria de dizer que me diverti com esses jogos, mas como não os joguei na época, atualmente eles parecem tecnicamente muito limitados. Mesmo assim, a Backworms Compatible Update merece ser celebrada por servir como um ótimo registro histórico.
E há outros pontos a serem criticados nessa remasterização, como os menus poucos intuitivos ou a ausência de tutoriais, o que pode assustar jogadores que nunca tiveram contato com algum capítulo da série. Também vale apontar o desbalanceamento no modo single-player, já que os disparos feitos pelo computador são quase sempre perfeitos.
Assim, o multiplayer acaba se mostrando o coração do Worms Armageddon: Anniversary Edition, mesmo com ele sofrendo com a falta de partidas entre plataformas e um sistema de partidas mais robusto.

Crédito: Divulgação / Digital Eclipse
Também me incomodou a câmera muito afastada durante as partidas. Se por um lado isso ajuda a termos uma visão mais ampla dos campos de batalhas, por outro faz com que tudo pareça pequeno demais, chegando a tirar um pouco do charme das minhocas, já que suas expressões faciais quase não podem ser vistas.
Mesmo assim, é impossível não considerar o Worms Armageddon: Anniversary Edition uma celebração bem executada de um clássico. Sem nunca querer reinventar a fórmula, esse retorno é uma carta de amor aos fãs de longa data e uma porta de entrada divertida (e desafiadora) para novos jogadores.