Lançada em 1997, a série Hot Shots Golf ganhou admiradores ao entregar uma experiência que tentava recriar o esporte de forma bem-humorada, com gráficos no estilo chibi e jogabilidade arcade. Eis que após oito anos de hiato, ela retorna com o capítulo Everybody’s Golf Hot Shots, que para o bem e para mal, aposta pesado em manter a tradição.

Desenvolvido pela Hyde, o jogo para PlayStation 5,Nintendo Switch e PC traz o clássico sistema de tacadas em três cliques, mas adiciona novos estilos de controle, uma tentativa de conquistar aqueles que nunca se habituaram a maneira como a série sempre funcionou. Os estilos disponíveis são os seguinte:

  • Sistema de três cliques: o método tradicional, onde as tacadas são baseadas no tempo e precisão. É o modelo ideal para os veteranos que buscam controle total;
  • Gauge Shots: estilo com um medidor circular que utiliza a lógica do anterior, usando potência e precisão, mas seu estilo visual pode facilitar a leitura para algumas pessoas. Também pode oferecer uma maior imersão, já que a barra imita o arco feito pelo taco;
  • Advanced Shots: modo em que devemos pressionar o botão quando a animação do taco atinge o ponto ideal e depois quando um círculo está sobre a bola. Mais difícil de ser dominado, mas pode servir para quem não se habituar aos outros modelos.

Crédito: Divulgação/ Hyde

A parte visual do Everybody’s Golf Hot Shots pode ser tanto um ponto positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo em que o jogo nos oferece cenários coloridos e personagens bem animados, é difícil deixar de pensar em como ele parece algo feito para uma ou duas gerações anteriores. Não se trata de um título feio, mas certamente ele passa longe de chamar a atenção por seus gráficos.

Já em relação ao conteúdo oferecido não há o que reclamar. Com uma boa quantidade de modos, o jogo nos oferece muito para nos ocuparmos, com os principais destaque sendo:

  • World Tour: servindo como o modo principal, nele disputaremos torneios em diversos campos, enquanto acompanhamos a história do personagem selecionado. Admito que o enredo não me interessou, mas como neste modo podemos desbloquear personagens e equipamentos, pelo menos podemos pular os diálogos ou até mesmo escolher por focar apenas nas disputas;
  • Challenge Mode: nos coloca em desafios com condições únicas, como vencer com um vento muito forte ou num determinado tempo;
  • Wacky Golf: neste modo temos regras inusitadas, como obstáculos, pontos bônus ou efeitos que podem tanto ajudar, quanto nos atrapalhar. As situações podem gerar partidas bem divertidas;
  • Stroke Play: partidas tradicionais, onde vence quem terminar com menos tacadas;
  • Multiplayer: podendo ser disputado online ou offline, no caso de partidas locais até quatro pessoas podem participar. Já quem quiser competir pela internet poderá fazer isso inclusive em eventos sazonais.

Crédito: Divulgação/ Hyde

No entanto, a desenvolvedora derrapou quando se trata da maneira como desbloqueamos parte do conteúdo. Com a evolução dos personagens ocorrendo de maneira lenta, será preciso muita dedicação até conseguirmos “dinheiro” suficiente para obter novos itens.

A intenção aqui provavelmente foi estender a vida útil do Everybody’s Golf Hot Shots, mas até por ele ser um jogo de esporte, o fator replay naturalmente já seria alto. Logo, ao atrasar as recompensas que recebemos conforme jogamos a Hyde acaba desanimando o jogador.

Outro ponto que deverá incomodar são as dublagens dos personagens. Além das vozes serem um tanto irritantes, a repetição das frases ditas durante as partidas rapidamente nos fará desejar diminuir o volume. Ok, esse é um jogo com uma atmosfera de desenho animado, mas isso não significa que os personagens precisem ser tão estereotipados.

Contudo, essas características estão presentes nos capítulos anteriores, logo não deverão pesar tanto para quem já os conhece. De toda forma, elas nunca me incomodaram, até essa vez. Pode ser que o problema ou falta de paciência seja apenas da minha parte e em outro momento isso não atrapalhe tanto a minha diversão.

Crédito: Divulgação/ Hyde

Também preciso citar a impressão da barra utilizada no modo tradicional não se mover de maneira tão suave quanto deveria. Isso fez com que eu errasse muito mais tacadas do que acontecia nos jogos anteriores e só não me irritei mais, porque pude mudar para outros tipos de controle.

Novamente, pode ser que isso só tenha acontecido comigo, talvez até por uma imprecisão dos meus olhos (sim, estou ficando mais velho). Então não posso afirmar se tratar de uma oscilação na taxa de frames, o que certamente atrapalharia a precisão e prejudicaria a jogabilidade. Na dúvida, preferi me adaptar a outro estilo.

Com tudo isso posto, confesso que ao saber que a série retornaria esperava que as pessoas envolvidas na sua criação ousariam mais, nos dando melhorias e inovações significativas, mas infelizmente não foi o que recebi. Tudo bem, é legal termos acesso a clima dinâmico e transições entre dia e noite, mas não chega a ser algo que compense termos ficado tanto tempo sem novos capítulos.

Ainda assim, Everybody’s Golf Hot Shots é um jogo divertido, que consegue manter a nostalgia para os fãs mais antigos, além de apresentar a marca à nova geração. Talvez ele sirva como um passo importante para que o estúdio arrisque mais no futuro, mas até que isso aconteça, ficaremos por aqui tentando acertar o tempo para a tacada perfeita e derrotar os adversários controlados pelo computador e que podem ser bem desafiadores.

Masculino
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Pai em tempo integral do Nicolas, enquanto se divide entre a comunicação pública e o Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.