Quando em 1992 a Nintendo lançou o Super Mario Kart, talvez nem Shigeru Miyamoto tivesse ideia disso, mas ele estava lavando às lojas um dos jogos mais influentes de todos os tempos. Desde então, muitas empresas tentaram replicar a qualidade e o sucesso da série que nasceu no Super Nintendo, com a mais recente delas sendo a Sega e o seu Sonic Racing: CrossWorlds.
Deixando de lado uma narrativa mais elaborada e apostando todas as fichas nas corridas, a criação do Sonic Team tenta fisgar os jogadores sem muita enrolação, aproximando-se ainda mais daquilo o que a Nintendo vem nos entregando há décadas. E basta colocarmos um dos carros na pista para termos certeza de que a escolha foi acertada.
Com o conceito central girando em torno da mecânica de mudança de mundos, no jogo poderemos viajar para dimensões diferentes durante as provas, mudança que acontece entre a primeira e a segunda volta de cada corrida, com o destino sendo escolhido pelo piloto que estiver na liderança. Serão dois portais que levarão os competidores para lugares muito diferente daquele em que estiverem, o que adiciona uma imprevisibilidade inédita ao gênero.

Crédito: Divulgação / Sega
Oferecendo 24 pistas principais divididas por oito torneios e mais 15 de outras dimensões, teremos mais de 70 mil combinações possíveis. Além disso, a possibilidade dos veículos se transformarem em barcos e aviões, sistema que retorna do Sonic & All-Stars Racing Transformed, ajuda a aumentar a variedade e não podemos esquecer que a Sega prometeu bastante conteúdo adicional por download.
Mas além de impressionar pela mudança fluída entre ambientes tão distintos, a mecânica “entre mundos” abre uma possibilidade incrível para os criadores do jogo. Com ela a Sega pode incluir inúmeros personagens de outras franquias de forma natural, já que os portais conectam mundos diferentes. Embora essa mistura ocorra em outros jogos de corrida estrelados pelo Ouriço Azul, agora o multiverso serve como justificativa para a presença do Joker de Persona 5, Bob Esponja, personagens de Minecraft, Pac-Man e Mega Man, todos já previstos para chegar ao Sonic Racing: CrossWorlds.
Outros pontos em que a obra do Team Sonic merece destaque é a trilha sonora e a liberdade de personalização. No primeiro caso, estamos falando de quase 100 músicas, sendo algumas repaginações de clássicos e outras compostas por Tee Lopes e Tomoya Ohtani. Vale citar que as faixas se adaptam às provas, acompanhando as transições entre os mundos em que estivermos e deixando a experiência bastante imersiva.
Já em relação à personalização, podemos alterar modelos e cores das partes dianteiras, traseiras e os pneus dos veículos, além de equipar até seis gadgets que nos darão algumas vantagens passivas. Porém, as alterações não serão apenas estéticas, nos permitindo montar veículos focados em características específicas como velocidade ou defesa.

Crédito: Divulgação / Sega
Os personagens também influenciarão na jogabilidade, pois estão divididos em cinco categorias: Velocidade, Aceleração, Força, Boost e Direção. Essa diversidade do elenco permite estratégias variadas, com cada personagem oferecendo estatísticas base distintas que podem ser modificadas através do sistema de personalização de veículos e Gadgets. Desta forma somos incentivados a experimentar e descobrir combinações otimizadas para diferentes estilos de jogo e tipos de pista.
Mas como acontece em muitos jogos do tipo, Sonic Racing: CrossWorlds também pode incomodar por contar com itens que desequilibram demais as corridas. É comum vermos uma disputa ser revertida rapidamente, com alguém que estava nas últimas posições saltando para a liderança apenas por dar a sorte de encontrar um item como o Monster Truck.
Para aqueles que perderam a prova nos últimos momentos por causa disso, não há dúvidas de que a raiva será forte, principalmente quando esse “roubo” é feito pelo computador, mas eu não acho isso tão ruim. Títulos do gênero costumam ser melhor aproveitados na companhia de amigos e quando essa loteria acontece nessas partidas, ao menos poderá render boas risadas.
Contudo, o que mais me desagradou em relação aos itens foi a falta daqueles que garantiriam — desde que bem usados — uma forma de defesa. Isso permitiria a elaboração de estratégias durantes as provas e faria com que a sorte deixasse de ser algo tão relevante. Com o tempo o Team Sonic poderá melhorar essa parte, fazendo ajustes baseados na opinião dos jogadores, o que resta saber é se ele farão isso.

Crédito: Divulgação / Sega
Outra melhoria que poderia ser feita é no sistema de progressão. Adquirir todos os itens para um personagem pode exigir milhares de Donpa Tickets, então teremos que gastar muitas e muitas horas para desbloquear tudo que quisermos. Ao menos isso não precisará ser feito com dinheiro real, mas, ainda assim, será um investimento de tempo que poucos estarão dispostos a fazer.
Já na parte visual, o jogo impressiona em todos os aspectos. Da velocidade com que os veículos rasgam as pistas, até o nível de detalhes nos cenários, Sonic Racing: CrossWorlds é lindo, com destaque para as corridas em locais consagrados pela franquia do ouriço e recriados com precisão. O único ponto a ser criticado quanto aos gráficos é o excesso de efeitos especiais, o que pode atrapalhar algumas pessoas. Mas, particularmente, não foi algo que me incomodou.
Com o Sonic Racing: CrossWorlds, a Sega pode não ter conseguido superar a sua fonte de inspiração, o que é justo dizer, nenhuma outra empresa conseguiu. Mesmo assim, ela nos entregou um ótimo título e arriscaria dizer que ele pode ser considerado o ápice das apostas da Casa do Sonic nos “jogos de kart”.
Com sua inovadora mecânica de trocas de mundos no meio das corridas, o jogo traz uma ótima novidade ao gênero, além de abrir as portas para que a editora possa faturar por muito tempo com a venda de conteúdo de outras franquias — e sem passar a sensação de ser um mero caça-níqueis. Por enquanto, fica a dúvida se haverá cópias vendidas o suficiente para justificar a dedicação pós-lançamento.
Mas caso o sucesso comercial não venha, será uma pena, pois além de estar ansioso para ver como os já prometidos personagens, carros e pistas se comportarão, esse é um jogo que imagino ter uma sobrevida tão grande e me divertido por tano tempo quanto aqueles produzidos pela outrora grande rival da Sega.