Luc Besson é um dos realizadores, que apesar de poucas vezes chegar a ser genial, insisto em acompanhar com certa expectativa. O francês entregou alguns bons exemplares de ação nos anos 90 como O Quinto Elemento e Nikita – Criada Para Matar, e o particularmente excelente O Profissional. Com a chegada dos anos 2000, acabou deixando de lado o cinema de ação, ao menos na cadeira de diretor, e passou a atuar mais influentemente como roteirista e produtor de algumas franquias, mas nada muito próximo do que havia realizado. Seus dois últimos filmes, A Família e agora Lucy, são as primeiras retomadas do diretor no campo da ação nos últimos anos. Curioso e esperançoso, resolvi conferir Lucy.

Lucy parte de uma premissa errada, e nesse caso, cientificamente errada. É comprovado ser um mito a crença de que o ser humano usa apenas 10% do seu cérebro. Ainda sim, é sobre essa afirmação que se constrói todo o argumento do filme. A personagem-título Lucy, interpretada por Scarlett Johansson, nos é apresentada como uma pessoa normal que por crueldade do destino acaba tendo que transportar uma droga experimental dentro de seu próprio corpo. Um acidente faz com que ela acabe absorvendo parte da droga, que a faz acessar as regiões de seu cérebro além dos supostos 10%. A partir desse momento, Lucy passa a ganhar poderes sobrenaturais, que vão da capacidade de controlar plenamente seu corpo a telecinesia.

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A narrativa de Lucy se divide entre mostrar a jornada de personagem e observações filosóficas e “científicas” (até onde isso pode ser afirmado). Para tal, a montagem do filme mistura imagens documentais com os cortes da ação do filme em si, chegando a mesclar os dois. Há também uso de efeitos especiais, quem tendem ao exagero mas acabam por se encaixar muito bem na proposta visual do filme. A experiência visual de Lucy é de fato satisfatória, assim como as cenas de ação muito bem conduzidas.

Em termos de enredo, porém, o resultado não é tão satisfatório. Ainda que se consiga ignorar a premissa em prol da fantasia, o filme peca em alguns aspectos. O roteiro segue a cartilha básica do cinema comercial, mesclando boas cenas de ação com momentos interessantes de humor, não fugindo muito a fórmula. Isso não seria um problema se realizado em plenitude, mas Lucy traz alguns clichês e situações forçadas que poderiam ter sido melhor realizadas. A história em si que o filme vem contar é muito rasa e muito rápido se esgotam os acontecimentos, e nesse ponto a duração enxuta de 90 minutos ajuda bastante. Lucy não se sustentaria por mais que isso.

É comum nas obras de Besson que os personagens sejam caricatos, e isso não é um ponto negativo. Apesar do roteiro raso, o elenco de Lucy o faz muito bem. O ponto alto do filme é o carisma de Scarlett, a atriz está em um ótimo momento e a personagem lhe cai perfeitamente. Além de Morgan Freeman, responsável por interpretar o cientista que dá voz as teorias do filme, outro nome a se destacar em Lucy é Min-sik Choi, ator coreano famoso por Oldboy, que vive o traficante que é o grande antagonista do filme.

Entre alguns tropeços no enredo e no uso de um pseudociência, Lucy acaba sendo um filme muito divertido, mas nada muito além disso. Vale principalmente pelas boas cenas de ação e pelo carisma hipnotizante de Johansson na tela. É o tipo de filme que figuraria fácil em uma sessão dominical com O Quinto Elemento, mas não chega a um O Profissional.

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Estudante de Comunicação Social, interessado em cinema, música e tecnologia (mas geralmente, jogos). Vive embaixo de uma pilha de entretenimento maior do que pode consumir e gosta disso.