Quando Arnt Jensen e a equipe da Playdead criaram o Limbo, eles provavelmente não tinham noção disso, mas estavam dando início a uma tendência. Desde então, vários jogos de plataforma passaram a adotar puzzles, assim como uma direção artística inspirada no expressionismo alemão — e entre eles está o Silt.

silt

Nele seremos um mergulhador que deve explorar as profundezas do oceano para tentar desvendar os mistérios do lugar enquanto encontrará as muitas criaturas bizarras que o habitam. A tarefa não será das mais simples, mas para concluí-la teremos uma vantagem.

Mesmo podendo ser considerado um “Limbo em baixo d’água”, o que diferencia o Silt daquele ótimo jogo é a habilidade que o nosso personagem tem para possuir outras criaturas. Graças a esse poder, vários animais marinhos poderão ser controlados por nós, o que rapidamente se mostrará fundamental para solucionarmos os muitos quebra-cabeças que encontraremos pelo caminho.

Imagine, por exemplo, poder guiar um cardume de pequenos peixes para levá-los até uma fonte de veneno e depois fazer com que eles sejam comidos por algum predador que poderia nos devorar. Ou então usar uma enguia-elétrica para ativar uma máquina e assim desobstruir uma passagem.

Apesar de em alguns momentos termos que alternar entre vários tipos de peixes para poder solucionar um quebra-cabeça, o que adiciona alguma complexidade aos enigmas, geralmente eles não entregam um grande desafio, com as soluções sendo quase sempre bastante óbvias.

O destaque neste quesito vai para as batalhas contra os chefes, que além de serem enormes, exigem um pouco mais de raciocínio para serem derrotados. Pode até parecer exagero, mas quando se trata dos chefes, considero os confrontos até melhores que aqueles criados para o Limbo.

O que acabou não me agradando no jogo é a maneira como avançamos de um ponto a outro. Ao invés da progressão acontecer de forma contínua, em Silt os desafios estão divididos por telas, como se estivéssemos em pequenas “arenas”. Isso faz com tenhamos que esperar o carregamento da próxima área, que mesmo sendo um processo rápido, pode prejudicar um pouco a imersão.

Mesmo não sendo algo que atrapalhe a jogabilidade, considero muito melhor a maneira como o próprio Limbo funciona, em “apenas uma tomada”, pois acredito que isso dá uma atmosfera muito mais cinematográfica à aventura.

Outro ponto a ser considerado está na estrutura não só do Silt, mas de todos os jogos neste estilo. Nele também morreremos diversas vezes, com a tentativa e erro se mostrando relativamente constante. Portanto, se você não gosta de repetir certos trechos nos jogos, saiba que neste isso acontecerá várias vezes até descobrirmos o que precisa ser feito. Felizmente os checkpoints (geralmente) não ficam muito distantes uns dos outros.

Já em relação à parte visual, Silt figura certamente entre os jogos 2D mais bonitos que vi nos últimos anos. Mesmo feito apenas com preto, branco e tons de cinza, a beleza proposta pelo título de estreia da Spiral Circus Games impressiona, com a movimentação tanto do mergulhador quanto das criaturas sendo fluída e convincente.

Podendo ser terminado em apenas algumas horas, Silt é daqueles títulos bons não apenas para jogar, mas para quem gosta de assistir os outros jogando. É uma aventura com alguns momentos de tensão, um ou outro quebra-cabeça mais desafiador, mas principalmente, uma beleza que salta aos olhos.

Talvez ele sirva para os seus criadores trazerem algo ainda melhor numa continuação, mas o que foi feito neste projeto já é suficiente para divertir. Só não espere uma grande quantidade de conteúdo, nem uma experiência inovadora.

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Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.