Na época dos 16-bits um dos gêneros que eu mais gostava era o dos beat ‘em ups, como o Streets of Rage ou o Final Fight, mas com o tempo eu comecei a aceitar a ideia de que eles foram deixados para trás, pelo menos se considerarmos apenas aqueles em 2D, porém, alguns games mais recentes ainda tentam manter vivo o espírito dos jogos de briga de rua, como é o caso do MadWorld, para Nintendo Wii.

Confesso que antes de começar a jogá-lo eu não sabia que ele lembrava tanto os antigos beat ‘em ups, tendo sido atraído pelo seu visual de revista em quadrinho preto e branco e como o encontrei por um valor irrisório (US$ 13 pelo jogo novo, lacrado), resolvi fazer a compra, nem que fosse para prestigiar a coragem dos produtores em lançar um jogo assim numa época em que a maioria dos jogadores só querem gráficos mais e mais realistas.

Graficamente ele supriu minhas expectativas, com uma direção artística irretocável, nunca se tornando repetitiva, mesmo com apenas duas cores durante todo o jogo (com exceção do sangue, que por sinal ajuda a deixar tudo mais bonito). A parte sonora também me agradou muito, com o hip hop surpreendentemente casando muito bem com o estilo bastante, digamos, japonês do MadWorld.

Sua jogabilidade sólida também é muito boa, mas aí entra a maior crítica ao título da Platinum Games. No começo massacrar os inimigos é algo muito divertido, mas logo a ideia de que estamos em um programa de TV onde o objetivo é matar os adversários das maneiras mais cruéis logo cansa e apesar dos cenários serem muito criativos em relação a disponibilidade de armadilhas, depois de um tempo percebemos que nem é preciso socar os vilões, basta aguarrá-los, enfiar um cano em seu pescoço e jogá-lo numa serra ou prensa e repetir o processo a exaustão.

Essa repetição ficou evidente para mim após terminar o game, quando já estava bastante enjoado de fazer a mesma coisa o tempo todo e percebi que a jogatina toda durou apenas 3 horas e 48 minutos, um tempo bem baixo para os padrões atuais. É uma pena que um conceito tão interessante tenha sido mal aproveitado e somado a câmera que insiste em nos atrapalhar, MadWorld se mostrou um bom jogo que mesmo tendo potencial para ter se tornado um clássico, não conseguiu passar disso, um bom jogo.

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Pai em tempo integral do Nicolas, enquanto se divide entre a comunicação pública e o Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.