Ultimamente, uma das coisas que mais tem me fascinado nos games é a capacidade deles nos permitirem criar nossas próprias histórias, de jogarmos da forma que quisermos ou nos divertirmos de maneiras pouco usuais.

Neste sentido, os jogos de mundo aberto costumam ser os que mais nos dão liberdade e um que tem me entretido bastante é o Tom Clancy’s Ghost Recon Wildlands. Nos oferecendo um enorme mapa baseado na Bolívia para ser explorado, o título da Ubisoft raramente nos impõe limites e quando percebi que ele registrava a distância do disparo mais longo que acertamos, soube que aquilo poderia se tornar uma obsessão.

O motivo para pensar assim é que sempre procuro jogar como um atirador de elite em jogos de ação, e após realizar algumas missões, conseguir armas melhores e ver minha marca aumentando, decidi que queria saber até onde poderia chegar.

Comecei então a fazer alguns testes, até encontrar um lugar onde poderia acertar um inimigo a mais de 500 m de distância, número que seria quase o dobro do que havia conseguido até então e com o novo recorde pessoal estabelecido por lá, eu precisava de mais. O grande problema é que após 600 m o jogo começava a deixar de renderizar os personagens e então pensei numa solução.

wildlands

Ao jogar com um amigo eu poderia pedir para ele marcar os traficantes do Santa Blanca enquanto eu aguardava à distância e o convocado para essa tarefa foi o Gustavo “Tango” Vasconcelos. Após lhe explicar o que queria, ele teve uma sacada ainda melhor: sequestrar aquele que serviria como alvo e carregá-lo até uma ponte que estava nas proximidades, o que daria pouco mais de 700 m. Alguns minutos depois ele avisou que estava com o bandido nas mãos, aí deitei sobre um veículo que se encontrava ao meu lado, fiz a mira e pouco tempo após realizar o disparo, escutei o Tango dizendo que não sabia porque o cara havia caído no chão. Sim, eu acertei o tiro de primeira!

Alguns dias se passaram e eu fiquei com aquilo na cabeça. Queria tentar ampliar mais aquela marca e ontem de noite o convidei para algo, digamos, mais ousado. Enquanto o aguardava no alto de um morro, vi uma vila localizada bem longe e com o binóculo descobri que ela estava a 1,4 km. Será que eu poderia acertar um tiro tão longe? Será que o jogo aceitaria tamanha maluquice? Com certeza valia tentar.

Começaram então os preparativos. O Tango conseguiu pegar um cara que havia se desgarrado dos demais e após trazê-lo para um local mais aberto (novamente uma ponte), comecei a testar a distância. O grande problema é que por estar tão longe, eu não conseguia ver onde cada tiro estava acertando e por isso precisava da ajuda do meu companheiro de disparos. Ele foi me informando para onde eu devia mover a mira e chegamos a conclusão de que o mais fácil seria ele dar passos em direção a onde as balas estavam acertando. Após várias tentativas, bingo! Consegui acertar a 1.207 m, número que nunca achei que alcançaria.

Mas vocês sabem como é, nós precisávamos tentar ir mais longe e com outros inimigos no local, tentamos pular logo para 1,6 km. O grande problema foi que os tiros que eu dava não estavam chegando tão longe e depois de diminuirmos gradativamente a distância (e muito erros), o resultado pode ser visto no vídeo abaixo, onde consegui 1.257 m.

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Chegava então a hora de retribuir o favor e começou ali uma das parte mais curiosas (para não dizer bizarra) de nossa aventura. O problema era que não existia mais nenhum inimigo no local, o que nos fez sair a procura de traficantes para serem usados como alvo. Quer dizer, o quão absurdo são dois soldados de elite dentro de um carro vasculhando um país da América Latina para tentar achar um alvo vivo apenas para quebrarem seus recordes?

Questão éticas a parte… Após percorremos algumas centenas de metros encontramos o pobre coitado que não veria o sol virtual nascer novamente e com o sequestro tendo sido realizado, o enfiamos no porta-malas e seguimos para nosso stand de tiro a céu aberto, com o Tango rumando em seguida para o topo da montanha. De lá ele também conseguiu ultrapassar a marca de 1,2 km, feito que nos encheu de orgulho.

Esse poderia ser o fim da nossa história, já que havíamos chegado à conclusão de que não daria para ir muito além disso, mas após alguma pesquisa descobrimos que existem armas que podem passar facilmente dos 1.700 m. Logo, adivinha o que certamente faremos nas próximas vezes que jogarmos o Ghost Recon Wildlands?

PS: há quem diga que os bolivianos estão espalhando a história de que a região tem sido assombrada por dois snipers que vagam pelas florestas à procura de bandidos para calibrar seus rifles, mas talvez tudo não passe de uma história assustadora para afastar os jovens do tráfico.

PS2: eu poderia dizer que nenhum traficante boliviano foi ferido durante os testes, mas…

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Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.